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Infertilidade e Reprodução Humana no Freud Explica

Entrevista com Dra Juliana no Freud Explica sobre infertilidade e reprodução humana. Apresentadora Taty Ades. Visão do psicológico da mulher no contexto desse drama pessoal.

 

 

F1: Boa tarde. Começando mais um (Freud) explica, aqui, ao vivo, na (TV) geração Z. E hoje, um tema muito importante pra você, mulher, e homem. Vamos falar de fertilidade, eu tenho aqui a doutora (Juliana Amato), ginecologista. Muito obrigada pela presença. Um tema muito interessante pra gente falar até da questão psicológica, emocional, de ter um filho, não ter, poder ter. Me diz uma coisa, pra gente começar, eu gostaria de desmistificar essa questão de que só a mulher pode ser infértil. Como que é essa questão em termos de porcentagem, homens, mulheres.

Juliana: O casal pode ser infértil. Não só a mulher, mas o homem também pode ter o problema de infertilidade. Cerca de 30% a 40% das causas são fatores femininos, e cera de 30 a 40% ligadas ao sexo masculino. Então, são casos em que o homem teve caxumba na infância, algum trauma na região íntima, homens que tem varicocele, alguma doença genética ligada ao cromossomo Y. O homem também pode ser a causa da infertilidade.

F1: É bom tirar esse conceito de que só a mulher é o problema. Problemas na mulher geralmente são ligadas à trompa, ovário, endometriose?

Juliana: Endometriose está muito em alta hoje em dia, que a mulher tem filhos mais tarde, tem essa opção de ter filhos mais tarde, e fica propensa a ter mais problemas de saúde, a endometriose vem a partir dos 32 anos, ela tem mais chance de ter endometriose. A mulher, com 35 anos, tem uma queda na fertilidade, na qualidade dos óvulos, porque ela, no nascimento, nasce com o número de óvulos que vai gastar ao longo da vida. Com 35 anos, a reserva está diminuída, a qualidade não está tão boa, são óvulos envelhecidos, e fica mais difícil ter filhos.

F1: A gente fala dessa questão de idade, e hoje em dia a gente vê mulheres com 40 e poucos anos tendo filho, eu vi uma pessoa com 48. A questão de doença em relação a esses bebês, ainda é grande? Esquizofrenia, síndrome de (Down), autismo, e outras.

Juliana: Sim, tudo relacionado à qualidade do óvulo.

F1: Então, é uma questão de risco querer ter filho nessa idade.

Juliana: É, depois de 40 anos é arriscado ter essas síndromes. Não quer dizer que vai ter, mas a chance aumenta.

F1: E o homem com idade avançada, também?

Juliana: Também. Estudos mostram que o homem tem a andropausa, um pouco depois da menopausa da mulher, que acontece aos 50 e poucos, acontece um pouco depois, mas diminui a qualidade espermática também.

F1: É perceptível por ele, como a menopausa da mulher?

Juliana: O homem não tem os sintomas como as mulheres, mas ele vai perceber mais no dia a dia, que ele não tem mais tanto desejo sexual, diminui um pouco, a ereção é mais difícil.

F1: Não é como na mulher, o mal estar, os calores. Me diga uma coisa, a gente falou da idade, a questão das drogas anabolizantes, em geral. Vamos pensar em álcool, fumo, drogas, isso pode trazer o declínio da fertilidade?

Juliana: Sim, o tabagismo, já tem vários estudos mostrando, que diminui tanto a quantidade de espermatozoides no homem quanto a piora da qualidade de óvulos na mulher. O alcoolismo também. Anabolizante em homem é uma coisa que é bem cruel. Estraga mesmo. São homens que ficam até sem espermatozoide nenhum. É muito complicado. E outras drogas também, tudo afeta a qualidade em relação a fertilidade, tanto do homem quanto da mulher.

F1: Hoje em dia, (Juliana), quando a gente fala em não ter a fertilidade, se tratar, o casal que quer engravidar, vocês estão com um avanço muito grande nessa questão. Mas, ainda existe uma porcentagem que ainda não consegue?

Juliana: A maioria consegue, mas ainda existe uma porcentagem que fazendo vários tratamentos, ainda não consegue. É um lado obscuro da medicina, que provavelmente é algo que ainda não foi descoberto ainda.

F1: A gente estava até comentando no início, antes do programa, que realmente vocês não descobrem uma causa, não tem por quê.

Juliana: A gente faz todo o (Screening) do casal, não é achado nenhum tipo de problema, e esse casal não engravida. Pode ser alguma coisa que a medicina ainda não descobriu, que está em estudo, que pode ser que a gente descubra alguma coisa ligada ao gene, incompatibilidade de casal.

F1: E isso, eu acredito, que pode levar a uma frustração muito grande, até por esse questionamento, “Somos nós dois juntos?”

Juliana: Com certeza, mexe muito com o psicológico do homem e da mulher.

F1: Em geral, a questão da infertilidade da mulher mexe com o feminino que tem na gente.

Juliana: Mexe muito, porque a mulher nasce brincando de boneca, de casinha, tem seu bebezinho, que brinca de dar mamar, cozinhar. Então, a maioria pensa em ter filhos mais pra frente. É lógico que muita coisa acontece na nossa vida, o casal até deseja não ter filhos, hoje está na moda, casais que não querem ter filhos.

F1: Exato. Quer dizer, ainda existe um preconceito da sociedade com isso, mas existe essa decisão do casal.

Juliana: É, uma decisão do casal, cada um vive a sua vida da maneira que acha que é melhor pra ela. Filho não traz felicidade sempre, às vezes causa problemas.

F1: Sim, as pessoas, as vezes, (Juliana), se pegam muito na fantasia de brincar de casinha. Como você falou, “A gente brincava com boneca, vestia.” E a gente, pequena, tem a fantasia de casar com o príncipe, ter filhos, e conforme o tempo passa, a gente percebe que a vida é difícil, é dura, e financeiramente, emocionalmente. Então, acho que é uma escolha que deve ser pensada.

Juliana: É pro resto da vida, e tem as dificuldades. Educar não é fácil.

F1: Exatamente, não adianta deixar com alguém, ser mãe por ser mãe. Eu vejo muito, me assusto muito, hoje me dia, vendo essas moças, crianças, na verdade, de 12, 13, 14 anos, grávidas. Às vezes, com 2, 3 filhos. Que loucura, isso.

Juliana: É. Falta de informação, educação, dos pais estarem junto acompanhando.

F1: Uma família desestruturada.

Juliana: É, porque a mulher entrou no mercado de trabalho, ela tem que trabalhar, não é igual antigamente que nossas mães ficavam em casa cuidando da gente. Então, essa terceirização do filho é complicado.

F1: Eu até brinco, vocês feministas destruíram com a gente.

Juliana: Tem mulher que deixa o filho em período integral na escola, com a babá.

F1: A questão do tratamento para reprodução assistida, em quais casos é sugerido, como que é essa reprodução assistida, pro público entender?

Juliana: Quando o casal tem mais dificuldade pra engravidar, existem tratamentos pra ajuda-los a obter o sucesso da gravidez. Depende muito do caso, do casal, se a mulher tem problema, se é o homem, se são os 2. Então, cada casal tem que ser avaliado individualmente. A gente tem 3 tipos de tratamento, pode ser do mais simples ao mais complexo. O tratamento mais simples seria uma indução da ovulação para se realizar um coito programado, ou em casa. Então, a mulher vai ao consultório, toma hormônios, faz acompanhamento ultrassonográfico, e quando ela estiver ovulando, e o médico olhar no ultrassom que ela está ovulando, ele orienta a mulher a ter relações naquele período. A inseminação artificial já tem outra indicação, para outro tipo de casais, que seria induzir essa ovulação com os hormônios, e a partir do momento que ela está ovulando, injetar o sêmen preparado do marido, que foi colhido em laboratório, já dentro do útero da mulher. E tem a fertilização in vitro, que seria induzir essa ovulação, retirar esses óvulos de dentro dos ovários, a paciente toma uma anestesia, pegar esse óvulo, e em laboratório, fazer a junção com o espermatozoide do homem.

F1: Isso é fantástico.

Juliana: É o famoso bebê de proveta. E quando estiver pronto esse embrião, coloca no útero da mulher.

F1: É quase uma ficção científica.

Juliana: É, exatamente.

F1: É muito incrível.

Juliana: Cada tratamento tem que ser individualizado, porque tem vez que chega casal e fala, “Eu vim aqui para fazer uma inseminação artificial.” Tem muita confusão em que tipo de tratamento que é.

F1: Eles já chegam com o tratamento que eles querem.

Juliana: É, mas será que é o melhor pra eles? Será que não? Será que tem indicação de indicação, ou só de um coito programado? Ou é um caso de fertilização in vitro? A fertilização in vitro é pra quando a mulher tem algum problema nas trompas, uma endometriose um pouco mais severa.

F1: Tem um exame, que eu não lembro o nome, que eu fiz uma vez, que eu não lembro o nome.

Juliana: Histerossalpingografia.

F1: Eu tenho resistência a dor, mas esse é cruel.

Juliana: Injeta um contraste no útero, e esse contraste passa pelas trompas.

F1: Eu estava com a trompa completamente obstruída, cistos, tive um problema de cistodermóide, enfim. Aquele dia foi sofrido.

Juliana: É dolorido, por isso que não dá pra fazer em qualquer laboratório. Têm laboratórios em que a paciente sente menos dor, mas se tiver a trompa obstruída, sempre vai ter.

F1: E tem que fazer, porque é importante. Vamos ver aqui, a gente está cheio de e-mails. Pessoal, [email protected], ok? Vamos ver, primeiro, aqui, a gente comentou, ela disse pra você. (Antônia), “boa tarde, gostaria de saber o que a doutora acha sobre os tempos atuais, onde as mulheres escolhem não ter filhos. Não seria um desejo instintivo que nós mulheres estamos perdendo? É normal sentir a vontade de ter um filho?”

Juliana: É, é normal não sentir a vontade de ter um filho. É que a sociedade impõe aquele modelo de família na gente. Mas se não houver o desejo, não há, realmente. Às vezes o desejo é estudar, viajar, aproveitar a vida, cada um é feliz de um jeito, não necessariamente com ou sem filhos.

F1: Eu acho que se deve perder o preconceito, sobre qualquer coisa. Acho que toda pessoa tem uma escolha, e ainda bem que a gente tem a possibilidade da escolha. Então, muitas vezes, o que a sociedade diz que é certo pra você, não é certo pra mim, não é certo pra (Juliana). Não fazendo mal ao outro, a gente precisa poder escolher, não é o comercial de margarina que vai me dizer o que eu preciso ser. Até porque, (Juliana), esse comercial de margarina, ele não está feliz, aquilo não é realidade. Então, acho isso importante, todo dia quebrar preconceitos, todos nós temos, e acho importante todo dia a gente quebrar. (Juliana), como eu comentei com você, eu vi um vídeo que achei lindíssimo, e eu gostaria de passar pro pessoal assistir agora. Assistam esse vídeo, que é todo o período de gestação, e no próximo bloco a gente volta pra responder as perguntas de vocês. Até lá. Olá, voltando com o (Freud) explica, hoje falando sobre fertilidade. Acabo de saber que o videozinho que a gente passou é do filho e da filha da doutora (Juliana).

Juliana: É, o parto do meu filho, ultrassom dele, e o ultrassom dela.

F1: Que bacana, ficou lindo, muito bonito. Vamos ver aqui, gente. Aqui, (inint) [00:20:50] pergunta pra você, (Juliana). “Uma mulher que tentou engravidar 2 vezes e sofreu abortos espontâneos no início da gestação fica muito assustada de tentar de novo. Há como saber o porquê dessas perdas, e como finalmente ter uma gestação completa? É meu grande sonho ser mãe.”

Juliana: Sim, existe. A gente tem uma condição chamada abortos recorrentes. A gente começa a investigar a partir do terceiro abortamento espontâneo. Quando a paciente já está mais ansiosa, passou por 2 abortos, está fragilizada, porque não é fácil passar por 2 abortos.

F1: Complicado, deve dar muito medo de tentar de novo, e perder.

Juliana: A gente pode fazer alguns testes. Hoje em dia, tem muito a questão associada à trombofilia, essas perdas recorrentes. E tem tratamento, se for trombofilia, tem tratamento, a paciente trata durante a gravidez inteira, e consegue levar a gestação à termo. Mas, tem que ser investigado.

F1: Se é o seu sonho ser mãe, acho que vale à pena. Geralmente, esses abortos, geralmente se cuida, até os 3 meses, a mulher tem que tomar o cuidado maior.

Juliana: Tem que se cuidar, porque a chance de abortamento nesse início de gravidez é alta, pra qualquer mulher. Para as minhas pacientes, eu falo, “Você está grávida, todo mundo está esperando, espera um pouco pra contar, esses 2 meses, não que vá perder, mas se acontecer alguma coisa, ninguém vai ficar te encontrando na rua, e falando, ‘como que tá?’”

F1: E a pessoa já está fragilizada. Aqui, acaba de chegar da (Elaine Lins). Ela diz o seguinte, “Boa tarde, (Tati), estou muito feliz de ter conseguido te assistir ao vivo hoje.” Bacana, (Elaine). “Gostaria de saber se há uma relação entre homens egoístas e infertilidade. Tenho 2 amigas casadas com homens dependentes e egoístas que agem como filhos delas e não maridos, e nunca conseguiram engravidar, mesmo comprovando que não havia nenhum problema com eles através de exames. Uma delas se separou, casou de novo, e logo engravidou. Era como se eles não quisessem engravidá-las, para não perderem seu lugar. Um abraço.” Quer dizer, pode ter essa relação da personalidade, de quem eu sou, de quem esse homem é?

Juliana: Eu acho que no outro sentido, ele evitando ter filhos com ela, pra não perder o posto dele, evitando ter relações em certo período que ele sabe que é um período fértil da mulher.

F1: Ok, ele pode dar uma manipulada nesse sentido, saber o período fértil dela.

Juliana: Sim, dar uma escapadinha, falar, “Não, não estou me sentindo bem.”

F1: Sim, às vezes têm muitos homens que não querem perder esse papel, que eles acabam tendo, de filhos, e não de maridos. Essa proteção que não recebem da mãe.

Juliana: Aquela dependência.

F1: Quando a mulher engravida, gera um certo ciúme.

Juliana: É, e vai perder o encosto, que depois que o nenê nasce, o marido realmente perde um pouco da atenção.

F1: Não vai ser mais o bebê. Ela vai dar atenção para o bebê.

Juliana: Acho que mais relacionado a isso.

F1: Bacana. Aqui, vamos ver, da (Branca). “Boa tarde, (Tati), e doutora (Juliana). Tenho 39 anos, e já fiz 3 abortos, nas idades de 15, 26 e 34 anos. Só me sinto preparada agora, posso ser infértil por causa dos abortos?” Pelo que eu entendo, são abortos provocados. Eles podem causar infertilidade?

Juliana: Infelizmente pode, porque, o que acontece num aborto provocado? Você toma a medicação, tem o sangramento, ou vai pro hospital, e tem que fazer a curetagem. Tem estudos mostrando que tem uma síndrome chamada síndrome de (Asherman), que é muito comum em quem faz aborto recorrente, por causa da curetagem, o endométrio colaba, ele fecha, e é a região onde o embrião vai se fixar pra crescer, então pode ter uma infertilidade por causa disso.

F1: Você falou do endométrio, no caso da endometriose, como que é, o que é endometriose, pra gente entender melhor?

Juliana: É um processo inflamatório da cavidade pélvica, que está relacionada ao ciclo menstrual. Não se sabe ao certo o mecanismo, mas esses focos de endométrio que a gente tem dentro do útero, eles começam a formar, tem uma (inint) [00:27:09] pela trompa, ele se espalha, e esse tecido endometrial se espalha pela cavidade abdominal, então pode pegar intestino, bexiga, e ele vai se infiltrando.

F1: Pode ser perigoso?

Juliana: Pode, ele pode invadir o intestino e a paciente ter problemas intestinais, alteração de hábito, as vezes ter que fazer uma cirurgia, porque está muito extensa essa endometriose, pegou um pedaço do intestino, da bexiga, é complicado.

F1: E parece que a dor é complicada.

Juliana: É uma dor insuportável, uma cólica menstrual, assim. Mas existem casos em que a dor é mais amena.

F1: Eu já tive suspeita, meu médico achava, porque eu tenho dores terríveis, mas não era endometriose. Aliás, nunca se descobriu o porquê. No caso, ela se identifica como (Branca). Então, no caso dela, ela tem como saber se ela pode, ainda, ter filhos?

Juliana: Eu indico que ela procure o médico dela, relate o acontecido, provavelmente ele vai pedir um exame chamado histeroscopia, que é uma camerazinha que coloca na entrada do útero, como se fosse uma endoscopia, pra ver se está tudo bem dentro do útero dela. Ver se não tem essa síndrome, fazer uma dosagem hormonal, ver como está a reserva ovariana.

F1: Legal. Vamos ver aqui. Opa, de um homem, (Rodrigo). “Boa tarde. Existe algum outro exame, além do espermograma, pra saber se o homem é infértil?”

Juliana: Existe, mas aí entra em outras causas de infertilidade. O (Screening) basal do homem é o espermograma. Se o espermograma der muito alterado, ele vai procurar as causas dessas alterações do espermograma. Pode ser uma varicocele, aí o urologista vai solicitar um ultrassom de dorso escrotal, pode ser alguma doença ligada ao cromossomo Y, aí vai fazer um cariótipo, então existem sim, mas quando o espermograma dá alterado.

F1: Então, a primeira coisa é o espermograma, o ponto de partida. Aqui, a (Mara) pergunta novamente, a gente comentou já, “Como é feita a reprodução in vitro, e se ainda é muito utilizada.”

Juliana: É bastante utilizada. Hoje em dia a gente usa em muitos casais. Todos os tipos de tratamento, o coito programado, inseminação artificial, fertilização in vitro, são muito utilizadas.

F1: É engraçado, as pessoas ainda tem essa sensação de que é algo passado.

Juliana: Não, é bem atual, e é muito atual, porque hoje em dia os casais casam mais tarde, querem ter filhos mais tarde, casou com 34, 35 anos, “Não quero ter filho agora.” Chega com 38, 39, pode ter alguma dificuldade. Por isso que hoje a gente faz muito a criopreservação de óvulo. Se quiserem ter filho mais tarde, congela, e fica tranquila.

F1: E gente, isso é muito interessante, porque o óvulo vai manter essa fertilidade.

Juliana: Sim, ele não envelhece.

F1: Bacana essa possibilidade de eu querer ter mais um tempo.

Juliana: No dia que bater o desejo de ser mãe, faz a fertilização in vitro, pega esse óvulo, descongela, fertiliza com o sêmen do marido ou do parceiro, e engravida.

F1: Essa questão de programar o sexo do bebê, como que é isso?

Juliana: Não é permitido, a lei não permite.

F1: O que você acha disso?

Juliana: Eu acho que tem que ter algumas regras.

F1: É assustador, algo meio futurista demais.

Juliana: Parece uma fabricação em massa, sei lá.

F1: Mas seria possível se a lei permitisse?

Juliana: Seria, mas a lei não permite.

F1: Que bom.

Juliana: Eu acho que tem que ser ponderado, a gente não sabe o que isso pode virar.

F1: É, porque daqui a pouco você está escolhendo cor de olhos.

Juliana: Aí desequilibra a população.

F1: Exato, exato. Uma coisa que comentam muito também, probabilidade de irmãos se encontrarem, como que é a questão de um possível relacionamento entre irmãos que não sabem que são irmãos, isso pode trazer várias doenças, né?

Juliana: Pode, pode trazer. Mas, atualmente, o que se tem feito, principalmente com esses óvulos doados? Eles têm que ser regionalizados. “Usou dessa região aqui, então vamos tomar cuidado.”

F1: Porque pode acontecer.

Juliana: É, pode acontecer, mas é regionalizado para evitar problemas.

F1: Aqui, a (Jana), ela diz o seguinte, “Sobre a questão da idade avançada, qual a probabilidade que uma mulher de 43 anos tem de ter um filho autista, esquizofrênico ou (Down)?

Juliana: Depende muito da idade que essa paciente entrou na menarca, menstruou a primeira vez, o histórico dela, a idade que a mãe entrou na menopausa, depende da reserva ovariana dela, depende um pouco dos exames dela mesmo, não dá pra falar uma porcentagem.

F1: Ela teria que passar para o médico avaliar.

Juliana: Sim.

F1: Aqui tem uma do (Castro). Ele diz, “Doutora (Juliana), gostaria de saber se um alcoólatra recuperado poderia ter problemas de fertilidade.”

Juliana: É um pouco difícil de avaliar, ele teria que fazer um espermograma pra ver como está. Normalmente, quando você para de fumar, de beber, tem uma readaptação do organismo.

F1: Existe? Está me incentivando a parar de fumar de novo, pela terceira vez, que eu voltei.

Juliana: O homem tem uma coisa a favor, porque ele tem a produção de espermatozoide contínua. Não é que nem a gente, que tem os óvulos e gastamos. Ele tem essa produção contínua. Você parou de beber, você vai ter uma produção dos espermatozoides, sem o efeito do álcool. Então, tem a chance, sim, de estar normalizado.

F1: Bacana. E essa questão dele, sempre, o alcóolatra, vamos pensar em alguém que tem esse histórico de alcoólatra na família, e é alcoólatra, é uma probabilidade grande de fertilidade. Isso é legal alertar, drogas em geral, tabagismo também. Doutora, eu queria agradecer muito, adorei, acho isso um tema fantástico. Como o (inint) [00:36:44] tão perfeitinho, muito bonito mesmo. E venha sempre que quiser, está convidada.

Juliana: Obrigada, gostei muito do programa, está de parabéns.

F1: Obrigada. Pessoal, um beijo muito grande, vejo vocês na quarta-feira, a gente vai falar quarta-feira sobre a terapia do riso, como é bom a gente rir nessa época atual de tanto estresse, de tanta loucura mesmo, que a gente passa. Um beijo muito grande, até quarta.